900 vezes, sorriso!

900 vezes, sorriso!

A numerologia descreve o 900 como a representação de que alguma grande mudança está prestes a acontecer, trazendo um novo começo e, com ele, novas energias para a vida de uma pessoa. E essa grande mudança, de fato, aconteceu. Ayla Beatriz Oliveira Tavares, guarde bem esse nome, pois ele está marcado na história da Operação Sorriso em Santarém, no Pará.

Tudo começou no dia 8 de maio, quando a pequena Ayla, com apenas sete meses de vida, e a sua mãe Carolaine, 24, enfrentaram uma viagem de barco e um trajeto de 24 horas, saindo de Terra Santa, onde moram, até Santarém. Ao chegar na cidade, elas participaram do 1º dia de atendimentos do programa cirúrgico da ONG, data que foi ainda mais especial para elas: o Dia das Mães foi celebrado naquele domingo, mas o maior presente que a Carolaine poderia receber estava por vir.

A Ayla participou da etapa de triagem, onde foi avaliada por equipes da Operação Sorriso, compostas por profissionais de diversas especialidades como anestesia, enfermagem, cirurgia plástica, fonoaudiologia, genética, odontologia e psicologia, entre outras – um verdadeiro mutirão de atendimentos de saúde. Logo naquele momento, todos se encantaram com o sorriso fácil e carinhoso dela.

Ela e a mãe estavam ali porque alguma coisa estava faltando, um pedacinho daquele lindo sorriso que precisava ser completado. A Ayla nasceu com uma fissura labial unilateral, o que significa que o lábio dela não foi completamente formado em um de seus lados durante a gravidez – no caso dela, foi o esquerdo. A condição é relativamente comum: uma a cada 650 crianças nascidas vivas possui algum tipo de fissura labial e/ou no palato (o chamado “céu da boca”).

Depois que a Ayla foi avaliada por toda a equipe, a Carolaine ficou na expectativa de que a sua filha fosse aprovada para a cirurgia. Um dia depois da triagem, a grande notícia chegou: a Emily, uma das voluntárias da OSCA Santarém, ligou para ela e informou que a Ayla seria operada no dia 10, o primeiro dia de cirurgias. A OSCA é um grupo que reúne mais de 150 estudantes universitários locais. Eles participam dos programas da ONG em Santarém desde o início, em 2007.

As duas chegaram ao hospital na tarde do dia 9 para realizar a internação e passaram a noite acompanhadas pelo time de enfermagem. No dia seguinte, logo pela manhã, as operações tiveram início e a Ayla foi a primeira paciente a terminar a sua cirurgia. Neste momento, ela tornou-se a paciente de número 900 a ser operada em Santarém pelo time da Operação Sorriso durante os últimos 15 anos de atendimentos.

“Eu descobri que ela tinha nascido com a fissura no lábio somente quando ela nasceu. As enfermeiras que vieram me contar e me falaram que tinha uma equipe, a da Operação Sorriso, que fazia esse tipo de cirurgia. A partir daí eu fui encaminhada para a Casa da Criança, aqui em Santarém”, relembra a mãe Carolaine.

Ela também conta que ficou muito feliz ao descobrir que a filha é a paciente 900 da Operação Sorriso em Santarém. “Quando eu vi a foto dela nas redes sociais, eu fiquei alegre. Eu disse: ‘meu Deus, a mulher está fazendo sucesso’. Foi maravilhoso”, conta dando rindo de felicidade.

Além da Ayla, outras 50 cirurgias aconteceram durante o programa cirúrgico em Santarém. Mas elas não são apenas cirurgias. Elas representam sonhos de crianças, adultos e até idosos que passaram pelos atendimentos. São pessoas que querem ser vistas, amadas e querem se sentir importantes. Algumas delas têm o sonho de passar um batom ou simplesmente de poder conversar com outras pessoas sem ter medo do preconceito. A Ayla ainda é muito nova para sabermos qual é o sonho dela, mas uma coisa nós temos certeza: não é a fissura que a vai impedir de conquistá-lo.

Sobre a Operação Sorriso

A Operação Sorriso é uma das maiores organizações médicas voluntárias do mundo e atua por meio de programas cirúrgicos para oferecer atendimento e cirurgias gratuitas para crianças e adultos nascidos com fissuras labiopalatinas. A organização atua Brasil há mais de 25 anos e já operou quase 6 mil pessoas em 16 cidades. Para saber mais, acesse https://www.operacaosorriso.org.br

O amor de uma avó que nunca desiste

O AMOR DE UMA AVÓ QUE NUNCA DESISTE

Alguns pacientes têm uma longa história com a Operação Sorriso. Dependendo do tipo de fissura labiopalatina, alguns precisam de muito mais do que uma única cirurgia. Um deles é o Francisco, que conhecemos em 2016 durante uma missão humanitária em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Muito tímido, ele pouco interagia com as pessoas. O tom de voz muito baixo e o olhar, frequentemente voltado para o chão, escancaravam a vergonha que o menino tinha por causa da fissura labiopalatina que estava em seu rosto. Os longos cabelos, inclusive, eram usados para esconder a malformação em seu rosto.

Junto com Francisco, conhecemos uma das pessoas mais especiais nesses últimos 23 anos da Operação Sorriso no Brasil: a dona Cosma. Então com 67 anos, a avó foi quem criou o menino desde o seu nascimento. “O pai nunca foi presente na vida dele e a mãe dele, minha filha, me entregou o Francisco quando ele saiu da maternidade, porque disse que não saberia criá-lo”, conta a idosa.

O menino tinha uma fenda bilateral no lábio e outra fenda no palato. No momento do nascimento, a família não foi orientada sobre como ele deveria ser alimentado. Segundo dona Cosma, ele não mamou e engasgava muito ao receber líquidos. Por causa disso, ela passou a alimentá-lo apenas com uma colher.

Desistir não é uma opção

Dona Cosma e Francisco vivem em Marizópolis, no sertão da Paraíba. Ela levou o garoto duas vezes até a capital João Pessoa para tentar uma cirurgia reparadora, mas nunca conseguiu, pois ele tem asma e os médicos diziam que seria um risco operá-lo.

Então, em 2016, o pai de uma voluntária da Operação Sorriso ficou sabendo do caso de Francisco e avisou Dona Cosma sobre a missão humanitária da Operação Sorriso que aconteceria em Mossoró, no Rio Grande do Norte, a quatro horas de carro de Marizópolis.

Mais uma vez, dona Cosma levou o filho/neto em busca da sua cirurgia, mas, dessa vez, ela fez uma promessa para São Francisco: se ele fosse selecionado, o menino cortaria o longo cabelo para agradecer pela sonho realizado.

O início da transformação

Aos 12 anos, em 2016, Francisco foi um dos 53 pacientes selecionados para a cirurgia. No dia seguinte da operação, dona Cosma cumpriu a promessa e cortou o cabelo do menino para agradecer pela graça alcançada. Ele nem se importou, a felicidade agora era mostrar o sorriso novo que ele tinha no rosto.

Seis meses depois, voltamos à Mossoró e lá estavam Francisco e dona Cosma. Agora, a esperança era conseguir uma cirurgia para reparar a fenda palatina. Mais uma vez, o neto foi selecionado e a operação foi realizada.

O tempo se passou e, em 2020, reencontramos os dois. Agora com 16 anos, Francisco já tinha crescido bastante e dona Cosma continuava com o mesmo carisma encantador. Dessa vez, o objetivo era realizar um reparo na cicatriz que ficou acima dos lábios e, novamente, ele conseguiu.

Ao ser perguntada sobre o que mudou desde a primeira operação, dona Cosma lembra que antes, quando saia com o neto na rua e alguém apontava para ele, Francisco se escondia atrás dela. “Ficava com pena e acabava voltando para casa”, relembra. Na escola, as crianças também já não mexem mais com ele. “Ele ainda é envergonhado, mas hoje tem amigos e é bom aluno”, diz a avó orgulhosa. A matéria preferida? Geografia. E um dos hobbies favoritos é jogar Minecraft no celular.

Apesar dos 71 anos, dona Cosma segue com bastante energia. Enquanto Francisco era preparado para mais uma cirurgia, ela batia papo com os voluntários e até se arriscou em uma roda de samba formada por algumas enfermeiras e médicas da Operação Sorriso.

O futuro de Francisco

As cirurgias permitiram que o garoto pudesse frequentar a escola e aprendesse a ler e escrever, algo muito importante para dona Cosma. Analfabeta, ela sonha com um futuro melhor para o neto. “Quero que ele seja uma pessoa do bem. Ele escreve bem, tem a letra bonita… Oriento ele a estudar para que consiga um emprego bom em um escritório”, conta a avó.

Ao ser chamada para buscá-lo da última cirurgia, dona Cosma juntou as mãos e agradeceu a Deus. “Estou muito feliz que deu certo mais uma vez. Sou religiosa e rezei muito para que a gente fosse agraciado de novo. Sempre assisti a missa na televisão e rezava de olho fechado, porque tenho muita fé. E olha aí como funcionou”, agradeceu a idosa.

Você pode transformar a vida de famílias como a da dona Cosma e do Francisco.

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Uma história de superação e transformação

UMA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO

Ao longo dos últimos 23 anos de atuação da Operação Sorriso no Brasil, conhecemos muitas histórias de superação de pacientes com fissura labiopalatina e de suas famílias. Uma das mais incríveis é a de Luis Davi.

Muito alegre e de sorriso fácil, o menino, de três anos, brinca e penteia o seu boneco e depois começa a desenhar em um papel até ganhar uma máscara de presente. Ele coloca a máscara e, logo em seguida, a abaixa para dar um largo sorriso. Ele faz tudo isso usando apenas os pés. Além da fissura labiopalatina, o pequeno Davi nasceu sem os dois braços e desenvolveu uma habilidade extraordinária com os pés.

O primeiro contato entre o garoto e a Operação Sorriso aconteceu em 2016, quando estivemos em Mossoró, no Rio Grande do Norte, para mais uma de nossas missões humanitárias. A mãe Albanete e o pai, o pastor Luis Paulo, viajaram pouco mais de três horas com o garoto para chegar até a cidade. Eles moram em Alexandria, município que fica na divisa entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba.

A descoberta da fissura e a transformação

Luis Davi é o filho do meio do casal. Os outros dois irmãos nasceram sem nenhuma malformação. A gestação de Albanete foi tranquila e eles só descobriram a fissura labiopalatina de Davi no momento do parto. “Foi um choque. Levamos ele ainda pequenininho para um hospital de Natal e disseram que ele não ia sobreviver, mas deu tudo certo e estamos aqui hoje”, conta a mãe.

 A primeira operação do menino aconteceu em 2016. Na época, ele foi um dos selecionados para a cirurgia e teve o lábio operado. No ano seguinte, a família voltou para mais uma missão humanitária em Mossoró e, dessa vez, Davi teve a fenda palatina operada.

Os anos se passaram e reencontramos a família em 2020. Crescido, o menino é ainda mais independente, mas uma coisa não mudou: a sua alegria contagiante. Davi é uma daquelas crianças que alegram todos a sua volta com um sorriso gostoso e sincero.

Hoje, ele frequenta a escola, gosta de ler e ama jogar futebol. Ele aprendeu a escrever com os pés e a sua letra é tão bonita que recebe muitos elogios das professoras. Davi representa muito mais do que uma história de transformação, ele é a prova de que nascer com uma deficiência ou malformação não deveria ser obstáculo para a felicidade.

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