O SORRISO DE UM GUERREIRO

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João, presente de Deus. Heitor, aquele que guarda. A união de dois nomes tão fortes e simbólicos não poderia ser mais apropriada para a história desse pequeno guerreiro, que enfrenta as dificuldades da vida com um sorriso lindo e carismático.

João Heitor é o filho caçula de Elivandra, professora, e Jobson, programador de TI. O garoto é o mais novo de cinco irmãos, sendo dois filhos do primeiro casamento da mãe e os outros dois, do primeiro casamento do pai.

Quando soube da gravidez de João Heitor, Elivandra fez o pré-natal e os exames não mostraram nada de anormal. A fenda que corta o lábio do garoto é tão pequena, que dificilmente seria detectada enquanto ele ainda estava dentro da barriga da mãe.

A fissura só foi descoberta no momento do nascimento. “Não me assustei quando vi aquele buraquinho pela primeira vez, porque não via a fissura como um problema. O amor não deixa. Mas só queria entender porque ele nasceu assim”, lembra Elivandra.

Após sair da maternidade, Elivandra foi atrás da resposta do que poderia ter causado a fenda, já que não havia casos anteriores nem na sua família, nem na do marido. Mas sua pesquisa trouxe mais dúvidas do que respostas. Alimentação inadequada durante a gravidez, infecção no período da gestação, falta de ingestão de vitaminas... foram vários os possíveis motivos levantados, mas ela não chegou a nenhuma conclusão.

Para surpresa da família, quando João Heitor tinha apenas 5 dias de vida, eles ficaram sabendo que a Operação Sorriso estava em Porto Velho e decidiram levá-lo para uma avaliação. A viagem de quatro horas entre Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia, até a capital de Rondônia foi feita carregada de esperança.

Mas por causa da pouca idade, ele não foi selecionado para cirurgia. Os pais foram orientados a trazê-lo novamente dali a um ano, quando aconteceria outra missão em Porto Velho.

E foi justamente o que fizeram. Exatamente um ano depois, trouxeram João Heitor de novo à missão, que dessa vez foi escolhido para operar. A tão sonhada cirurgia, que no momento do nascimento eles imaginaram que levariam anos para conseguir, estava cada vez mais próxima.

Apesar da fissura ser pequena e de não ter atrapalhado na alimentação do garoto, a mãe percebeu que João Heitor tinha vontade de falar, mas o som saía parecendo com um assobio. Além disso, os olhares preconceituosos também a incomodavam. “A família já acostumou com a boquinha dele, mas a sociedade olha diferente, né?”.

O fato de ter que matricular seu filho numa escola em breve também a preocupava, pois certo dia, um amiguinho se assustou com a fenda no lábio de João Heitor. Após esse dia, a família ficou determinada a operá-lo e, caso não conseguissem a cirurgia gratuita, iriam tentar com um médico particular. “A gente ia dar um jeito de pagar... Mas é claro que receber tudo de graça é maravilhoso”, afirma, emocionada.

A família estava tão unida em torno da operação, que uma das filhas do casal pegou o ônibus e foi ajudar a cuidar de João Heitor no hospital.

A cirurgia do garoto correu bem e, cerca de uma hora depois de ter entrado no centro cirúrgico, os pais já foram chamados para vê-lo, agora sem a fissura.

João Heitor sempre foi visto como um presente para os pais. Uma gravidez inesperada que chegou para alegrar e completar a família. E agora, com um novo sorriso, ele vai seguir presenteando a todos com seu carisma e sua felicidade!

“Toda criança que nasce com deformidade facial é nossa responsabilidade. Se nós não cuidarmos dessa criança, não há nenhuma garantia de que outra pessoa o fará.”

- Kathy Magee, cofundadora e presidente da Operação Sorriso