Coração de mãe não tem preconceitos

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Ana Isabella é bonita. Mas quando sorri... fica ainda mais linda, se é que isso é possível. Duas pequenas fendas cortam seu lábio superior e dão um charme para esse sorriso tão encantador.

A garotinha de 9 meses de idade é a única filha de Leidy Mara, de 21 anos. Ela conta que a gravidez não foi planejada, mas que mesmo assim adora ser mãe. “Receber o carinho que os filhos transmitem é algo incrível”, diz.

Antes de Ana Isabella vir ao mundo, Leidy Mara trabalhava normalmente, mas desde o dia em que descobriu a gravidez, sua dedicação foi voltada à sua filha. Fez todos os exames de pré-natal conforme a recomendação médica, mas eles não detectaram que sua filha nasceria com uma fissura. O alerta veio de um sonho que a avó de Ana Isabella teve: certa noite, ela sonhou que a criança nasceria com um problema no rosto.

Quando Leidy Mara deu a luz, achou estranho os médicos não quererem lhe mostrar a filha logo de cara. “O médico demorou para me entregar ela nos braços. Falou que minha filha tinha nascido com um problema, mas que tinha conserto.” Apesar de ser o primeiro caso de fissura na família, Leidy Mara não se chocou, porque levou a sério o sonho de sua mãe e estava preparada para qualquer situação.

Assim que finalmente segurou Ana Isabella em seus braços, a menina fez um biquinho e, naquele momento, seu coração de mãe percebeu que sua filha não possuía nenhum problema. A partir dali, sempre a garota sorri, Leidy Mara não enxerga a fissura, afinal tudo que ela sempre desejou durante a gravidez é que sua filha nascesse com saúde, e isso a Ana Isabella tem de sobra.

Ainda que saiba que sua filha é normal como qualquer outra criança, infelizmente Leidy Mara tem de lidar com olhares preconceituosos e perguntas indiscretas sobre a fissura. “Ela caiu?”, “machucou a boca?” e “já nasceu assim?” são apenas alguns dos questionamentos que ouve. Além disso, ela também teve de lidar com preconceito dentro da própria família. “Uma tia falou para não expor a criança, não tirar foto, como se isso fosse algo terrível. Mas eu nunca escondi a minha filha”, lembra.

Ao mesmo tempo em que ouviu comentários que não a agradaram, Leidy Mara também recebeu bastante apoio. Pessoas que, assim como ela, não enxergavam a fissura como um problema. Ainda no hospital, ela recebeu apoio e orientação para o tratamento da filha. Ela fez o acompanhamento com um pediatra, que a encaminhou a um dentista bucomaxilo em Cacoal (RO), que fica a cerca de 3 horas de distância de Nova União (RO), onde moram. Mas ao chegar lá, o profissional informou que operava apenas fissura palatina, e não labial. O taxista que a levou para o hospital foi quem avisou da vinda de um grupo de médicos à capital do estado, onde realizariam um mutirão para operar crianças fissuradas.

Leidy Mara se programou para participar e encarou mais 5 horas de viagem até Porto Velho. “Pensei que fosse só um dia, por isso nem trouxe muita roupa. Mas fomos bem recebidas no alojamento e sei que esse sacrifício vai valer a pena para ela”, conta. Ela sabe que a cirurgia vai transformar a vida se sua filha. “Acho que o principal vai ser quando ela entrar na escola. Ninguém vai mexer com ela por causa da boca.”

Após a cirurgia, Ana Isabella só quer saber do colo da mãe, que não economiza carinhos para sua filha. O olhar cheio de ternura não esconde seu amor incondicional. “Ela sempre foi linda e perfeita. E agora está ainda mais,” derrete-se a mãe. É impossível não concordar com a Leidy Mara. Ana Isabella realmente está ainda mais encantadora do que antes, se é que isso era possível. E pronta para viver uma vida livre de olhares preconceituosos. 


“Toda criança que nasce com deformidade facial é nossa responsabilidade. Se nós não cuidarmos dessa criança, não há nenhuma garantia de que outra pessoa o fará.”

- Kathy Magee, cofundadora e presidente da Operação Sorriso