ANNA CLARA, A PEQUENA RECORDISTA

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Cinco dias. Cento e vinte horas. Esse foi o tempo que passou entre o nascimento de Anna Clara e sua primeira ida a uma missão da Operação Sorriso, em Mossoró (RN). Nascida prematura, com pouco mais de 2kg, ela era tão pequenininha, que quando foi examinada por um médico da equipe, cabia na palma de suas mãos abertas.
Não é incomum trazerem crianças recém-nascidas para uma avaliação com o time da Operação Sorriso, mas Anna Clara definitivamente foi uma das recordistas!

Sua mãe, Cibeli, não sabia que teria uma filha com fissura. Ela só descobriu após o parto. “Tomei anestesia geral, então recebi ela nos braços quando acordei. Foi aí que vi o buraquinho na boca. Ninguém me falou nada na hora, não sabia o que era e passaram mil coisas pela cabeça,” lembra. Além da fissura no lábio, havia outra no céu da boca também.

O choque inicial foi compartilhado por seu marido, Alan. “A gente não falava com ninguém sobre isso. Fomos deixando levar,” diz Cibeli. O sentimento só piorava quando ela via outras crianças recém-nascidas sem problemas de saúde.

No entanto, uma conversa com a equipe do hospital trouxe um pouco de tranquilidade aos pais. Eles foram avisados que, coincidentemente, a primeira missão humanitária da Operação Sorriso em Mossoró aconteceria apenas 4 dias depois do nascimento de Anna Clara.

Eles saíram da pequena Itaú (RN) e viajaram cerca de 1h até Mossoró. Cibeli diz se lembrar como se fosse ontem o momento em que chegou à triagem dos pacientes na missão e deu de cara com centenas de crianças fissuradas, iguais à sua Anna Clara. Nessa hora, o abatimento deu lugar à esperança.
Como a garotinha era muito pequena, nessa ocasião ela passou por consulta médica, contudo não entrou na lista de cirurgias. Cibeli foi orientada a voltar dentro de 6 meses, quando a Operação Sorriso estaria em Mossoró de novo.

E assim foi feito. Em janeiro de 2017, lá estavam Cibeli, Alan e Anna Clara de novo na triagem de pacientes. Dessa vez, a menininha foi selecionada para operar o lábio. “A cirurgia ficou perfeita. Quem não sabe que ela tinha a boquinha aberta só percebe se eu contar,” destaca Cibeli.

O tempo passou e um ano mais tarde, a família de Anna Clara retornou a Mossoró para participar de mais uma missão cirúrgica. Com quase 1 ano e meio de idade, agora ela estava na idade considerada ideal para operar o palato, que também era aberto. Mais uma vez, Anna Clara foi selecionada para ser operada e tudo correu bem.
A quarta visita da família às missões da Operação Sorriso aconteceu em janeiro de 2019. O que era para ser apenas mais consulta pós-operatória acabou se transformando em outra cirurgia. O palato de Anna Clara apresentava uma pequena abertura e ela foi selecionada para fazer o reparo.

Segundo Cibeli, Anna Clara já começava a falar as primeiras palavras, mas era um pouco fanha. Seu desejo era que a cirurgia resolvesse esse problema, até porque ela havia sido matriculada na creche, que começaria a frequentar em breve.

Mesmo depois de tantas cirurgias, Cibeli confessa que ainda fica super ansiosa. Por fora parece a pessoa mais tranquila do mundo, mas por dentro é uma tormenta de emoções. Enquanto aguardava Anna Clara sair da operação, as mãos suadas não largavam o celular e os olhos levemente marejados buscavam alguma imagem para tentar se distrair. “Depois da cirurgia com certeza vou chorar também, mas vão ser lágrimas de alegria,” diz. “Tenho certeza que vai dar tudo certo.” Para aplacar o nervosismo, ela conversava com outras mães que conheceu em missões anteriores.

Cibeli também sabe que, apesar do pós-operatório ser um pouco trabalhoso, só o fato de saber que sua filha não vai sofrer preconceito na escolinha compensa qualquer coisa. “Às vezes penso como seria a vida dela sem as cirurgias,” confessa.

As muitas missões também propiciaram a criação de um vínculo especial com algumas voluntárias. Segundo ela, em sua 2ª missão ela recebeu muita ajuda da enfermeira Isabel, que a ensinou como cuidar da bebê recém-operada. Outra pessoa que a marcou foi a cirurgiã plástica Dra. Mariana, que foi quem operou a garotinha. “Sem tirar o mérito dos outros profissionais, que também são ótimos, mas as duas têm um lugar especial no meu coração.”

Quando perguntada sobre o que a Operação Sorriso significa para ela, a resposta é direta: amor. “Devo minha vida a vocês.”

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“Toda criança que nasce com deformidade facial é nossa responsabilidade. Se nós não cuidarmos dessa criança, não há nenhuma garantia de que outra pessoa o fará.”

- Kathy Magee, cofundadora e presidente da Operação Sorriso